

Prompt / Lyrics
De manhã cedo, o sol ainda nem decidiu nascer e eu já trago o trabalho colado ao corpo, o cansaço a puxar-me para o chão como se a noite nunca tivesse acabado. Chego ao ponto, olhos vermelhos, mãos gastas, o silêncio era tudo o que eu queria, mas o dia nunca pede licença. Ao longe, risos soltos, vozes altas a cortar o ar, é o cunhado, dono do momento, como se mandar fosse mais fácil meu cunhado te mandou curtar curtar curtar do que perceber. “Corta a relva, corta a relva, só jardim, faz bem feito”, repete como disco riscado, como se eu fosse máquina e não gente de carne e defeito. Engulo a resposta, porque nem toda verdade cabe na boca, há palavras que pesam demais para quem já chega sem força. Entro no pátio cantando fecho a porta como quem se fecha por dentro, ligo o motor, o som sobe, o peito também. Ele grita lá fora: “ baixa isso!” vou curtar curtar cheff Mas ninguém pede pra baixar o peso nas costas, ninguém pede pra baixar as horas mal dormidas, ninguém pede pra baixar a vida. Então eu sigo. Brrrrrr! Merda, sim. Brrrrrr! Merda, sim. O motor fala por mim, fala do dia que ainda nem começou, fala da paciência gasta, do respeito que nunca chegou. As ruas passam, o barulho vira escudo, quando o homem já não aguenta é o ferro que grita tudo. Não é raiva sem motivo, é acúmulo, é pressão, é viver sempre no limite sem manual, sem perdão. Se o som é alto, é porque o mundo fala mais alto ainda, se o motor ruge, é porque a alma também ruge por dentro, ferida. E sigo assim, entre ordens, motores e pó, tentando não virar máquina num mundo que trata gente pior que pó. Brrrrrr! Merda, sim. Hoje é só assim que dá.cheff
Tags
Latino pop elétrico, male
3:12
No
1/23/2026