

Prompt / Lyrics
Vou a caminho, o frio pesa em mim, o vento corta a cara, corta o fim. Cada passo é um peso no chão, o corpo anda, mas treme o coração. Chego lá… portas fechadas, olho em volta, ruas caladas. Penso comigo: o que se passa aqui? Ninguém está, só eu e o frio em mim. O tempo passa devagar, cruel, o relógio ri, o céu parece fel. As mãos duras, o corpo a gelar, trabalho à espera, sem começar. Mais tarde chega o meu cheff, cara de riso, sem stress. Olhar leve, alma vazia, como se a minha dor fosse poesia. Eu só digo: isto é assim, nem uma palavra soube sair de mim. A garganta fechou, o orgulho também, há silêncios que gritam mais que cem. Disse que era mais tarde pra começar, como se o frio não soubesse matar. Gostou de me ver ali a congelar, feito boneco, feito alguém sem lugar. Por dentro pensei, mas não falei, há coisas que a raiva escreve melhor que a lei. Um dia vais pagar sem sequer notar, a vida cobra sem avisar. Toda a merda cai sempre na fossa, não há mentira que fique grossa. Meu amigo, podes bem contar, ninguém foge ao que vem cobrar. Hoje sou eu no frio a esperar, amanhã é o mundo a te gelar. Porque quem brinca com o sofrimento alheio acorda sozinho no próprio medo. O frio passa, eu sigo em frente, mas a memória fica, dura, presente. E quem ri da dor sem compaixão escorrega um dia na própria mão.
Tags
pop, rock, punk, electro, male
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No
1/24/2026