

Prompt / Lyrics
Cheff, em Espanha tudo aconteceu, num piscar de olhos o mundo tremeu. Gente que ia ao nosso lado, rindo, falando, ali ficou… sem perdão, sem tempo, sem chão. A terra abriu a boca como fera faminta, engoliu carros, vozes, vidas distintas. Quem seguia connosco no mesmo caminho, ficou para trás, preso ao destino sozinho. Antes disso, sinais já gritavam no ar, o nosso carro começou a falhar. O pneu cedeu, fomos obrigados a parar, mudar de rota, respirar, esperar. Seguimos em frente com o coração apertado, e de novo o pneu… furado, rasgado. Outra paragem, outra perda de tempo, raiva, cansaço, silêncio no vento. Eu pensei: “Porquê agora? Porquê a nós?” Sem saber que o atraso era a voz do destino a empurrar-nos pra trás, a dizer: “Ainda não, ainda há paz.” Os minutos caíam pesados no chão, cada segundo parecia maldição. Mas foi esse tempo perdido na estrada que nos salvou da morte anunciada. Quando lá chegámos, Espanha caía, a terra engolia gente, noite e dia. Onde antes havia ajuda e mão estendida, já só restava pó, grito, despedida. Gente que parou para nos ajudar, gente simples, sem nada a ganhar… quando voltámos o olhar, já não estavam mais lá. O atraso virou escudo, o azar virou proteção. O pneu furado foi anjo mudo, a falha virou salvação. Hoje carrego essa história no peito, não foi sorte, foi livramento feito. Quem anda comigo sabe bem que a vida avisa… nem sempre explica a quem. Cheff segue em frente, mas nunca esquece: às vezes o caminho que nos atrasa é o mesmo que nos protege.agora sei que nosso tempo está pra chegar
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Raw, close-mic male vocals over tense acoustic guitar and distant floor tom pulses. Verses stay hushed and confessional;
3:28
No
1/24/2026